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Projeto e Proposta Pedagógica
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Departamento de Ação Social: “A formação cidadã na escola”
“A sociedade produz a realidade histórico-social - incluso aí o universo conceitual que a representa - e, ainda, as formas de pensamento que lhe são próprias. Nesse sentido, o fator determinante da formação da consciência é a condição histórico-social, ou seja, a forma como os homens estão, naquele momento histórico, produzindo a sua existência real. Sob esta perspectiva, o conhecimento se dá pela inserção do aluno nas práticas sociais que definem os objetos de conhecimento próprios desta sociedade e, neste caso, a experiência cotidiana acaba sendo, na verdade, o grande mestre”. Klein (1999:21)
1- Introdução e justificativa
O Colégio Cruzeiro busca através da criação do Departamento de ação social desenvolver um projeto institucional que viabilize uma maior participação da comunidade escolar na construção de uma cidadania ativa, uma das principais metas da proposta pedagógica da escola. Para isso busca contemplar uma formação humanística que compreenda uma concepção mais ampla das dimensões tempo/espaço de aprendizagem, na qual educadores e educandos estabeleçam uma relação mais dinâmica com o entorno social e com as suas questões.
Este escolha político-pedagógica apresenta uma realidade que exige habilidades e competências para a realização do processo de integração e participação por parte de seus estudantes na sociedade atual. As orientações presentes nos Parâmetros curriculares Nacionais (1998) apontam que:
- Na situação de ensino e aprendizagem, o conhecimento é transposto da situação em que foi criado, inventado ou produzido, e por causa desta transposição didática deve ser relacionado com a prática ou a experiência do aluno para adquirir significado.
- A relação entre teoria e prática requer concretização dos conteúdos curriculares em situações mais próximas e familiares do aluno, nas quais se incluem as do trabalho e do exercício da cidadania;
- A aplicação de conhecimentos desenvolvidos na escola, às diversas situações da vida cotidiana e da experiência espontânea pelos alunos, permite seu entendimento, crítica e revisão.
Os conteúdos das áreas de conhecimento devem estar articulados com as experiências de vida do aluno, problematizando temas que estejam diretamente relacionados aos problemas de suas realidades. Segundo o Plano Nacional de Educação, de 1998, cada tema deve ser tratado a partir de um conjunto de objetivos didáticos, que se fazem referência a quatro pilares da educação para o século XXI:
- Aprender a conhecer: domínio de instrumentos de autonomia intelectual;
- Aprender a fazer: domínio de meios para agir sobre a realidade;
- Aprender a conviver: domínio de participação e solidariedade em todas as atividades humanas;
- Aprender a ser: domínio de autoconhecimento para um melhor desenvolvimento de sua personalidade e realização pessoal;
A Globalização altera a relação do indivíduo com o espaço através do enfraquecimento da cidadania relacionada ao Estado Nacional. Por isso, o indivíduo começa a ter uma maior valorização como um sujeito autônomo, consumidor e usuário em detrimento do seu posicionamento político de ator de ações individuais e coletivas. A construção social que se faz desta nova “cidadania” deve ser relacionada aos processos sócio-históricos da construção do conhecimento, sempre relacionado com a realidade histórica do estudante.
Segundo Banks (1994), existem diversas formas de abordar a questão das relações entre educação e cultura(s) no contexto escolar. O mesmo autor propõe uma cultura escolar e estrutura social que reforcem o empoderamento de diferentes grupos. Por isso o projeto que norteia a construção desse departamento promove um processo de reestruturação de parte da cultura e organização da escola, para que os diferentes sujeitos que formam a comunidade escolar, ampliem sua possibilidades culturais através da abertura de um diálogo entre diversos grupos étnicos, raciais e sociais e que desta forma possam experimentar a eqüidade e o esforço pela mudança da sociedade e da própria escola.
A partir da criação de diferentes canais de diálogo, definido por Freire(1975) como “um encontro humilde, onde todos se sentem iguais, no lugar do encontro não existe ninguém com saber absoluto e ninguém absolutamente ignorante, mas, homens que procuram compreender melhor a realidade para transformá-la”, a escola começa ganhar proporções de um aglomerado de pessoas com fins comuns de pertencer a um grupo. O pensador alemão Max Weber (1991) faz uma definição muito importante acerca dessa concepção de relação social e sua transformação em relação comunitária quando as ações sociais são movidas por um sentimento subjetivo dos participantes de pertencer ao mesmo grupo.
Com base nestas perspectivas são apresentados a seguir os objetivos e as metodologias para o desenvolvimento do projeto.
2. 1 - Objetivos gerais do projeto:
- Desenvolver um projeto institucional que viabilize uma maior participação da comunidade escolar na construção de uma consciência e participação cidadã.
- Envolver professores, funcionários, estudantes, pais e ex-alunos em atividades de pesquisa e extensão, aproximação a instituições como universidades, ONGs, e projetos sociais para o desenvolvimento de projetos pessoais e coletivos que visem atender a comunidade interna e externa.
- Aumentar a integração dos diferentes grupos que compõe a comunidade escolar através de eventos pontuais e de acompanhamento.
2.2- O que o projeto pretende desenvolver em relação aos pais:
- Envolver os pais na construção dos saberes da escola através da participação destes nas ações práticas, pontuais e/ou de acompanhamento do projeto, reuniões de informação e debate e oficinas.
2.3- O que o projeto pretende desenvolver em relação aos funcionários:
- Realizar a formação continuada científica de todo o seu corpo de funcionários.
- Orientação jurídica e financeira (orçamento familiar) mediando encontros entre pais ou ex-alunos que trabalhem na área financeira ou jurídica com funcionários. Assim como podemos ter orientações no planejamento familiar e atendimento psicológico, dependendo do perfil identificado pela pesquisa a ser realizada no mês de fevereiro que identificará o perfil sócio-econômico dos funcionários da escola.
- Desenvolver autonomia nos funcionários na participação e elaboração de projetos na escola.
- Aumento da qualidade de vida dos funcionários promovendo a valorização profissional e pessoal.
- Desenvolver o aumento do capital cultural dos funcionários e suas famílias através de incentivos e subsídios para atividades culturais e de lazer dentro e fora do ambiente escolar.
2.4- O que o projeto pretende desenvolver em relação aos estudantes:
- Instrumentalizar o aluno do Colégio Cruzeiro para o desenvolvimento de projetos pessoais e coletivos através do desenvolvimento de habilidades específicas como elaborar, negociar, organizar e manter o funcionamento dos projetos.
- Envolver os alunos nos seus próprios processos de aprendizagem e construção da cidadania;
- Desenvolver a capacidade de auto-avaliação e autonomia nas decisões dando-lhes condições de entender os seus direitos como criança e adolescente na sociedade.
- Incitar no aluno a vocação para o trabalho científico promovendo o letramento nesta forma de linguagem durante a construção dos projetos.
Referências bibliográficas
Brasil. Ministério da Educação – Conselho Nacional de Educação. Parecer 11/2000: Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultas. Relator: Carlos Roberto Jamil Cury. Brasília, DF. 1999.
BRASIL, Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: Terceiro e Quarto Ciclos: Apresentação dos Temas Transversais. Brasília, MEC/SEF.1998.
BRASIL, Ministério da Educação. Plano Nacional de Educação. Brasília, MEC/SEF, 1998.
CANDAU, V.M.F., SOCIEDADE, COTIDIANO ESCOLAR E CULTURA(S): UMA APROXIMAÇÃO, Educação e Sociedade, Campinas, 2002.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. 7. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1998. (Coleção Leitura)
Klein, L. R. Alfabetização de Jovens e Adultos: Elementos para uma Proposta Metodológica. Curitiba, 1999.
_________. Pedagogia do Oprimido. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1975.
WEBER, M. Economia e Sociedade. 1ª ed. Brasília: Unb, 1991. Vol. 1.








